Vírus zika traz prejuízos motores e de memória a adultos, mostra estudo da UFRJ

Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriu que o vírus zika, além de se replicar no cérebro de pessoas adultas, também causa prejuízos de memória e problemas motores. O estudo, iniciado na época do surto de zika no país, em 2015 e 2016,  foi publicado no dia 5 de setembro, em Londres, no Nature Communications.

“[Na época] aumentou o número de casos e, junto com a microcefalia, que foi o que chamou mais a atenção, começaram a aparecer complicações em pacientes adultos”, disse uma das coordenadoras da pesquisa, a neurocientista Claudia Figueiredo. Apesar de a doença ser autolimitada, com sintomas leves, muitos pacientes apresentavam quadro mais grave: alguns entravam em coma ou tinham internações por períodos mais longos.

Os cientistas perceberam que o prejuízo de memória ocorreu não apenas na fase adulta da infecção, mas que os sintomas permanecem mesmo após a infecção ter sido controlada nos camundongos. O vírus se replicou e teve um pico de replicação de vários dias.

O estudo também concluiu que o vírus induz uma informação importante no cérebro: os períodos de memória estão associados a quadros inflamatórios muito intensos. Os pesquisadores usaram um anti-inflamatório e viram que esse tratamento melhora o prejuízo de memória, levando o paciente a recuperar a função prejudicada. Os cientistas acreditam que a descoberta pode contribuir para a elaboração de políticas públicas para tratamento de complicações neurológicas por zika em pacientes adultos.

Os pesquisadores querem avaliar ainda o efeito de outras arboviroses, isto é, os vírus transmitidos por mosquitos, entre os quais a chikungunya, sobre esse tipo de alteração, principalmente na questão da dor.

 

Fonte: Agência Brasil

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