Pesquisa da UFRRJ visa melhorar a qualidade de vida de crianças com zika vírus

Pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), do campus Nova Iguaçu, estão desenvolvendo um projeto multidisciplinar com crianças portadoras da síndrome congênita do zika vírus (SCZV) moradoras da Baixada Fluminense e do Sul do estado, sobre a importância da escola para a melhoria de sua qualidade de vida.

A pesquisa está organizada em três eixos. Na parte de crianças e família, há resultados que já foram publicados em português e em inglês na revista Práxis Educativa. Também existe um piloto sobre formação de professores, em que uma das questões centrais é a falta de educação continuada de educadores infantis para receber as crianças. O resultado foi publicado em um periódico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

No segundo eixo, os próximos passos serão o oferecimento de cursos de especialização e a produção de indicadores que fomentem a elaboração de políticas locais. O terceiro eixo, em andamento, busca realizar um trabalho conjunto, com todas as secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social dos dez municípios participantes – oito da Baixada e dois do Sul Fluminense, onde é maior incidência de crianças com SCZV.

Segundo a professora Márcia Denise Pletsch, que coordena o projeto, o objetivo é que estas crianças se sintam acolhidas e possam se desenvolver melhor na escola, para garantir a possibilidade de se comunicar, organizar seu pensamento e a linguagem e, a partir daí, ter melhor qualidade de vida. As sequelas foram tão severas que a maioria das crianças não fala, diz Márcia.

Ela destaca a importância de iniciar um projeto educacional logo cedo .“Se não fizermos isso agora, quando as crianças são pequenas, vai ficar difícil, porque tem a ver com a neuroplasticidade”, explicou à Agência Brasil. Por neuroplasticidade, entende-se a capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se estrutural e funcionalmente ao longo do desenvolvimento neuronal e quando sujeito a novas experiências.

Ela citou pesquisas publicadas no Brasil e no exterior segundo as quais mesmo as crianças que nasceram com microcefalia, cujas mães tiveram o zika vírus, apresentam atrasos no desenvolvimento, deficiência intelectual ou autismo. Essas crianças não foram mapeadas. “Já temos cerca de 300 crianças com deficiência múltipla em decorrência da SCZV, sem contar as subnotificações.”

Apesar de o trabalho estar suspenso desde a pandemia, as unidades da rede municipal de ensino repassam os dados das crianças às equipes coordenadas por Márcia Pletsch, e estas vão de casa em casa fazendo estudo junto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). São tarefas que estão paradas e só serão retomadas com a volta às aulas presenciais, porque dependem da frequência na escola.

A pesquisa é desenvolvida em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca e o Instituto Fernandes Figueira, ambos vinculados à Fiocruz; com a PUC Rio; a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade do Estado de Santa Catarina, além do Fórum Permanente de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva da Baixada e Sul Fluminense. São quase 60 profissionais envolvidos no acompanhamento e análise dos processos de escolarização das crianças com SCZV em turmas de educação infantil da rede pública.

 

Fonte: Agência Brasil

 

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