Fiocruz cria ferramenta que identifica grupo de risco para dores causadas por chikunguya

A chikunguya, uma das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, tem como um dos sintomas mais característicos dores no corpo e nas articulações. Em alguns casos, os pacientes continuam se sentindo indispostos mesmo após a fase aguda da doença, o que afeta a qualidade de vida.

Considerando  a recorrência desse problema em pessoas que contraíram a enfermidade, pesquisadores da Fiocruz desenvolveram um estudo para identificar as variáveis ​​clínicas e demográficas relevantes na fase aguda da doença. O objetivo da pesquisa foi elencar  características que possam indicar os pacientes que possuem maior probabilidade de desenvolver artralgia crônica (dores nas articulações a longo prazo).

Em um primeiro momento, foi avaliado um grupo de pessoas diagnosticadas com chikungunya, entre 2016 e 2018, em cidades da Bahia e Ceará. Posteriormente, os achados foram validados em outro grupo de pacientes, no município de Feira de Santana (BA).

Por meio das observações, foram detectadas cinco características que representam fatores favoráveis para o desenvolvimento da  artralgia crônica: indivíduos do sexo feminino, hipertensos, que tiveram edema na pele e dor retro-ocular durante a infecção e idade maior que 26 anos. A partir desses dados, os cientistas desenvolveram um sistema de pontuação que denominaram de Shera (sigla em inglês para sexo, hipertensão, edema, dor retro-ocular e idade).

De acordo com os pesquisadores, a ferramenta, disponível em português e inglês, consegue prever que 8 em cada 10 indivíduos com chikungunya persistirão com dor articular por pelo menos um ano após o início da enfermidade. Além disso, o sistema de pontuação fácil de usar pode ser aplicado em áreas com acesso limitado a serviços de saúde.

A pesquisa foi publicada revista científica Plos Neglected Tropical Diseases e  faz parte do projeto maior denominado Mitigando o Impacto da Artralgia Crônica Pós-Chikungunya, com foco no desenvolvimento de fármacos para tratamento da doença e  está concorrendo ao Prêmio Euro Inovação na Saúde.

Fonte: Fiocruz

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