Cientistas bloqueiam ação do zika vírus em camundongos

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Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), em parceria com cientistas das universidades de Harvard e de Buenos Aires conseguiram bloquear e desvendar a ação do zika vírus nos camundongos, evitando a microcefalia nos fetos. O trabalho foi publicado na revista científica Nature Neuroscience.

Os pesquisadores descobriram o zika age estimulando uma proteína, o receptor aril hidrocarboneto, ou AHR. Uma vez ativado, o AHR limita a defesa imunológica do organismo, coibindo a produção de interferon tipo 1 – de enorme importância na imunidade antiviral inata de camundongos e humanos – e a proteína PML, que inibe a replicação do vírus.

A partir da descoberta, os pesquisadores passaram a testar nos camundongos uma droga que inibe a ação da proteína AHR. A substância já estava sendo testada em humanos, mas com outra finalidade.

“Descobrimos uma droga que ainda está em estágio de desenvolvimento, mas que foi capaz de inibir a ativação do AHR induzida pelo zika”, ressaltou Peron em entrevista à Agência Brasil. Os pesquisadores administraram a droga em fêmeas prenhes de camundongos infectados com zika e puderam perceber a melhora nas lesões por todo o corpo. No caso dos neurônios no cérebro, o remédio bloqueou em 100% a ação do vírus.

Segundo ele, os fetos tratados com a droga voltaram a nascer com peso normal. O comprimento total dos animais também melhorou e na placenta e no cérebro foi observada que a remissão do vírus foi total.

Em 2016, o mesmo grupo de cientistas, liderado pelo professor Jean Pierre Schatzmann Peron, conseguiu comprovar a partir do estudo em camundongos que o zika vírus causava a microcefalia e defeitos congênitos em fetos de fêmeas contaminadas com o vírus.

Fonte: Agência Brasil

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